Junta de Freguesia de Fontes Junta de Freguesia de Fontes

História e Atualidade

Freguesia de Fontes, Conselho de Abrantes, Distrito de Santarém.


Freguesia criada pela Lei n.º 132/85 de 04/10/1985, desanexada da Freguesia do Souto,


A Freguesia de Fontes foi elevada a freguesia em 4 de Outubro de 1985.

De acordo com Hipólito Raposo: "depois de passar Andreus e São Domingos é em Fontes, ao pé da Capela, que vamos buscar o primeiro grande espetáculo do Zêzere. Que Beleza!

E ao desvio pela Cabeça Ruiva, se formos lá abaixo há um barqueiro que nos pode levar à Ilha do Lombo".



Localizada no extremo Norte do conselho de Abrantes,  Freguesia com uma área total de 28,12 km²  e com 619 Habitantes (Segundo últimos dados), tendo, por isso, uma densidade populacional de 16,5 hab./km².


A Freguesia de Fontes, é constituída por 12 Aldeias, Fontes, Água das Casas, Bairrada, Cabeça Ruiva, Carrapatoso, Colmeal, Maxial, Maxial d’Além, Portela, Sentieiras, Vale de Açor e Vale da Bairrada.


Em 1991,  a população era de 1256 habitantes. Em 2001, a população habitual reduziu cerca de 34,8%, para 819 habitantes. Em 2011, houve uma redução de 23,4%, para 627 habitantes. Nos últimos dados conhecidos, nos censos 2021, houve outra redução (25,2%), reduzindo assim os habitantes registados para 469. 


Esta  população conhecida e divida por faixas etárias, (0-14 Anos, 15-24 Anos, 25-64 Anos, >65 Anos), também tem vindo a sofrer bastantes alterações ao longo do tempo, acentuando-se o envelhecimento da população.


Em 2001, estavam registadas, 90 Pessoas (0-14), 117 Pessoas (15-24), 374 Pessoas (25-64), 238 Pessoas (>65);

Em 2011, estavam registadas, 51 Pessoas (0-14), 50 Pessoas (15-24), 303 Pessoas (25-64), 223 Pessoas (>65);

Em 2021, estavam registadas, 20 Pessoas (0-14), 31 Pessoas (15-24), 190 Pessoas (25-64), 228 Pessoas (>65).    


No ano de 2025, esta Junta de Freguesia, fez 40 Anos de existência. E ao longo destes anos foram surgindo vários desafios entre os quais dar a conhecer o território, preservar o património verde e potenciar o turismo da Freguesia.


"A pai­sagem da fre­guesia con­tinua a ser, como no pas­sado, mar­cada pela pre­sença de vi­nhas baixas e de oli­vais junto às ha­bi­ta­ções. Con­segue ter essa perspectiva a partir do mi­ra­douro de Fontes, que se situa no adro da igreja ma­triz. Aí pode avistar nú­cleos como a Por­tela, a Bair­rada, Ca­beça Ruiva e Ma­xial e con­tem­plar a vista e as par­ti­cu­la­ri­dades desta fre­guesia. Tem, ainda, uma pa­no­râ­mica geral da Al­bu­feira do Cas­telo do Bode e con­segue ver parte da Serra de Tomar e, ainda, o con­celho vi­zinho de Vila de Rei.


Falar desta fre­guesia sem falar de água não es­taria cor­reto. As fontes, que dão nome à fre­guesia, são cada vez menos pro­cu­radas, tem vindo a ser feito um esforço para as reabilitar, mas esta com­po­nente na­tural con­tinua a ser a mais re­le­vante da fre­guesia.


 "An­ti­ga­mente era nas Fontes que a po­pu­lação se reunia, agora os es­paços pri­vi­le­gi­ados de lazer e so­ci­a­li­zação são as mar­gens da al­bu­feira, Nesse âm­bito, houve ne­ces­si­dade de cons­truir al­guns par­ques pú­blicos. Um deles pode ser en­con­trado no lugar de Sen­ti­eiras (dispõe de mesas e gre­lha­dores) e ou­tros dois na Ca­beça Ruiva (um no fim da Rua do Casal da Rainha, outro no fim da rua do Rio Zê­zere. Aí pode tirar par­tido do lago ar­ti­fi­cial e da pai­sagem en­vol­vente.

Vi­site, também, o Parque do Ma­xial (co­nhe­cido por So­bral), só aces­sível pela es­trada flo­restal, de de­clive acen­tuado, um local mais re­ca­tado e nor­mal­mente pouco fre­quen­tado e que tem uma pe­quena ilha.

Junto à Al­deia de Água das Casas po­demos en­con­trar a zona de lazer do Ra­baçal, com um Parque de Me­rendas equi­pado com mesas e gre­lha­dores, lagos e uma pe­quena pis­cina.


 Se está na fre­guesia não pode deixar de vi­sitar al­guns mo­nu­mentos re­li­gi­osos. É o caso da Igreja Ma­triz de Nossa Se­nhora da As­sunção (1962) e da Ca­pela de Santa Águeda (lo­ca­li­zada no Ma­xial). A ca­pela data dos fi­nais do séc. XIV e já so­freu vá­rias in­ter­ven­ções. Todos os anos, no dia 5 de fe­ve­reiro, dia da sua morte, re­a­liza-se a Festa a Santa Águeda. A tra­dição é cum­prida sempre com uma missa, uma pro­cissão e pro­messas.


Vi­site, também, o Nicho de­di­cado à Se­nhora da As­sunção, si­tuado numas das en­tradas/saídas da lo­ca­li­dade. Um as­peto cu­rioso é o facto de este nicho marcar a fron­teira entre o es­paço ha­bi­tado e o de­sa­bi­tado, as­su­mindo a função de sa­cra­li­zação desta área, isto é, vela o ter­ri­tório que está po­voado e es­con­jura o que não está. Esta prá­tica era ha­bi­tual por se crer que es­tava ha­bi­tado por en­ti­dades ma­lé­ficas que de­viam ficar afas­tadas da al­deia.


 

Outro dos lo­cais que me­rece uma vi­sita é a Ca­pela de Água das Casas, de­di­cada a Nossa Se­nhora de Fá­tima. Apesar de ser de ini­ci­a­tiva pri­vada está aberta ao culto. Foi inau­gu­rada em 1985."


 

Adaptado de (in Turismo - CM Abrantes).


Festas


Festa de Nossa Senhora da Assunção - 15 de Agosto

Festa em Bairrada, no fim de semana em que apanhe o 10 de Junho

Festa em Água das Casas, último fim de semana de Julho

Festa em Maxial, penúltimo fim de semana de Agosto

Festa em Portela, primeiro fim de semana de Setembro

( há a destacar a prática de Jogos da Sueca e Chinquilho durante a realização das Festas de Verão, e na festa de Portela destaca-se a corrida de bilhas de barro)​


Mostra de Água das casas 2025


Na mostra de Água das Casas 2025, a 27 e 28 de Outubro, a Água das Casas foi palco de um evento que conciliou, arte, cultura e memória.  Um projecto de criação artística e cultural promovido pela associação Mundo em Reboliço, com direção artística da coreógrafa Filipa Francisco, natural de Água das Casas.


Nestes dias, realizou-se um trabalho de escuta e partilha com os habitantes e antigos moradores da aldeia, cujas histórias e memórias foram recolhidas em vídeo, áudio e texto, servindo de base à edição de 2025.


Entre os vários resultados artísticos apresentados destacam-se o livro Água das Casas: Uma amostra, de José Martinho Gaspar;

O mural pintado na Fonte de Santo António (ou Fonte do Cabeço), da autoria de Anacleto Guia; o filme À Procura de Uma Aldeia, realizado por Miguel Canaverde com crianças e jovens locais;

E o solo de dança contemporânea interpretado por Susana Domingos Gaspar.


O livro de José Martinho Gaspar revisita as memórias da aldeia, cruzando realidade e ficção para reconstruir o quotidiano e o imaginário rural.

Já o mural de Anacleto Guia, também descendente de Água das Casas, recupera a história recente da aldeia e simboliza a revitalização do espaço público, assinalada pela reabertura da torneira do antigo fontanário.


Este evento foi um enorme sucesso e mostrou que as tradições e memórias tem um espaço relevante no nosso dia a dia, e devemos mantê-las presentes e partilha-las.


Pode ver a noticia do MédioTejo no seguinte link (https://mediotejo.net/mostra-de-agua-das-casas-2025-reforca-lacos-entre-arte-e-comunidade/)

Fotos  ©Mouralves Fotografia


Água Das Casas: Uma Amostra,

de José Martinho Gaspar


Inserido na mostra de Água das Casas 2025, foi apresentado o Livro "Água das Casas: Uma Amostra" escrito por José Martinho Gaspar. Este livro tem em todas as páginas, memórias, tradições, histórias que é fundamental partilhar e manter vivas.


Conhecendo um pouco mais o autor, a forma como foi pensado e escrito este livro: 


"José Martinho Gaspar, naseceu em Água das Casas no Dia de São Martinho de 1967. Num tempo em que se vinha ao mundo pelas mãos de uma parteira, neste caso a Ti Alexandrina, o nascimento do autor deste livro não se revelou fácil. Houve a necessidade de chamar um médico durante a noite, pelo que Vicente Serras, ao ver o parto do neto complicar-se, decidiu pedir ao parente Zé Lopes, que comprara há pouco tempo  uma motorizada, que fosse ao Sardoal ver de médico. A resposta foi obviamente favorável, ainda que tenha sido colocada a condição de descobrir como se ligava a luz da motoreta. Tudo se resolveu e esta podia muito bem ser uma história para integrar este livro.

Professor de profissão, encontrou na escrita uma paixão. Este é o seu décimo segundo livro em nome próprio,  a que se juntam outros em coautoria. Um romance, livros de contos, publicações de história local e nacional, bem como livros para a infância, permitiram-lhe vencer vários prémios literários.

Trata-se do seu segundo livro sobre a aldeia onde nasceu, o primeiro intitula-se Água das Casas: Memórias de uma comunidade, pois por maior que seja a viagem, jamais podemos esquecer o local de onde partimos.


"Este livro germinou no âmbito  da Mostra de Água das Casas  2025. Tratou-se de uma iniciativa da associação Mundo em Reboliço, focada na descentralização cultural e no envolvimento das comunidades em processos de criação artísticas. Com sede na aldeia de Água das Casas, a associação promove nesta localidade e no conselho de Abrantes um projecto de comunidade, que cruza memória, arte e participação.

A Mostra propôs residências artísticas, oficinas e apresentações públicas, reunindo artistas, habitantes e estruturas locais em torno da criação de objectos artísticos, entre os quais um filme participativo, um solo de dança, um mural pintado num chafariz da aldeia e esta publicação com histórias e memórias do território. As narrativas apresentadas, ilustradas com fotografias, resultam de testemunhos sobre o quotidiano de Água das Casas, desde inícios do século XX, a que, em alguns casos, se juntaram elementos ficcionados. Afinal, quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto.

A estrutura deste livro procura espelhar o cariz cíclico que marca a vida do mundo rural. O tempo de Água das Casas é/era como uma grande roda, pelo que é possível antever o momento seguinte, o que origina a sensação de que é aqui o nosso abrigo."


Deixar uma palavra de agradecimento a quem participou e tornou este livro uma realidade, com as suas histórias, as suas imagens, as suas memórias. Uma palavra de agradecimento também a quem juntou tudo e fez com que esta "Amostra" fosse para além de um livro, um pedaço de história e uma enciclopédia de pessoas, de vivências e muito mais. Um livro que fica na historia, por contar o passado e por deixar escrito a quem vier no futuro, a sua maravilhosa história, numa aldeia, que como a Água vai correndo e novas memórias vão surgindo. 



Onde, 

De José Luís Peixoto


Um dos aspectos mais relevantes e o desafio que este livro nos deixa, é ser e estar, e puxando pelas páginas que nos tocam, é sobre Abrantes, é sobre as Fontes. Ao folear este livro encontramos muitos locais, sensações e formas de estar na vida. Na página XX encontramos o o "Miradouro de Fontes", com a sua paisagem imensa, inigualável, que nos deixa sem palavras. Tentar descrever em palavras esta paisagem vai sempre pecar por escasso, por isso a melhor opção que temos é apreciar, ser e estar, podemos sempre levar este ou outro livro, para fazer demorar a nossa estadia por lá.    


Sinopse:


"Entre a poesia e a geografia, fragmentos de prosa poética que anotam uma paisagem, um casario, uma rua, o nome de uma árvore, o segredo escondido a meio de uma encosta.

Livro múltiplo e absolutamente coeso, sobre miradouros e distância, árvores e tempo, rios e caminho; sobre fé, história, sobre ler, estar e ser, sobre Abrantes, Constância, Sardoal e o mundo inteiro.
Textos ou lugares, talvez poemas. O livro é difícil de resumir, mas fácil de entender, claro como um mapa. Não saberemos realmente o que perdemos se não lermos, se não formos lá.
José Luís Peixoto desafia-nos a acompanhá-lo ao longo de um território de paisagem e de escrita, de pequenas e de grandes descobertas, de enormes revelações.
O lugar onde estamos é a vida."


Para conhecer um pouco o autor...


"José Luís Peixoto nasceu em Galveias, em 1974.
É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior, e em 2016 recebeu, no Brasil, o Prémio Oeanos com Galveias. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas. As suas mais recentes obras são Autobiografia (2019), na prosa, e Regresso a Casa (2020), na poesia.
Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas.
Para saber mais sobre o autor: https://www.joseluispeixotoemviagem.com"

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