Junta de Freguesia de Fontes Junta de Freguesia de Fontes

História e Atualidade

Freguesia de Fontes, Conselho de Abrantes, Distrito de Santarém.



Freguesia criada pela Lei n.º 132/85 de 04/10/1985, desanexada da Freguesia do Souto,


A Freguesia de Fontes foi elevada a freguesia em 4 de Outubro de 1985.

De acordo com Hipólito Raposo: "depois de passar Andreus e São Domingos é em Fontes, ao pé da Capela, que vamos buscar o primeiro grande espetáculo do Zêzere. Que Beleza!

E ao desvio pela Cabeça Ruiva, se formos lá abaixo há um barqueiro que nos pode levar à Ilha do Lombo".



Localizada no extremo Norte do conselho de Abrantes, Freguesia com uma área total de 28,12 km² e com 619 Habitantes (Segundo os últimos dados), tendo, por isso, uma densidade populacional de 16,5 hab./km².


A Freguesia de Fontes, é constituída por 12 Aldeias, Fontes, Água das Casas, Bairrada, Cabeça Ruiva, Carrapatoso, Colmeal, Maxial, Maxial d’Além, Portela, Sentieiras, Vale de Açor e Vale da Bairrada.


Em 1991,  a população era de 1256 habitantes. Em 2001, a população habitual reduziu cerca de 34,8%, para 819 habitantes. Em 2011, houve uma redução de 23,4%, para 627 habitantes. Nos últimos dados conhecidos, nos censos 2021, houve outra redução (25,2%), reduzindo assim os habitantes registados para 469. 


Esta  população conhecida e divida por faixas etárias, (0-14 Anos, 15-24 Anos, 25-64 Anos, >65 Anos), também tem vindo a sofrer bastantes alterações ao longo do tempo, acentuando-se o envelhecimento da população.


Em 2001, estavam registadas, 90 Pessoas (0-14), 117 Pessoas (15-24), 374 Pessoas (25-64), 238 Pessoas (>65);

Em 2011, estavam registadas, 51 Pessoas (0-14), 50 Pessoas (15-24), 303 Pessoas (25-64), 223 Pessoas (>65);

Em 2021, estavam registadas, 20 Pessoas (0-14), 31 Pessoas (15-24), 190 Pessoas (25-64), 228 Pessoas (>65).    


No ano de 2025, esta Junta de Freguesia, fez 40 Anos de existência. E ao longo destes anos foram surgindo vários desafios entre os quais dar a conhecer o território, preservar o património verde e potenciar o turismo da Freguesia.


"A pai­sagem da fre­guesia con­tinua a ser, como no pas­sado, mar­cada pela pre­sença de vi­nhas baixas e de oli­vais junto às ha­bi­ta­ções. Con­segue ter essa perspectiva a partir do mi­ra­douro de Fontes, que se situa no adro da igreja ma­triz. Aí pode avistar nú­cleos como a Por­tela, a Bair­rada, Ca­beça Ruiva e Ma­xial e con­tem­plar a vista e as par­ti­cu­la­ri­dades desta fre­guesia. Tem, ainda, uma pa­no­râ­mica geral da Al­bu­feira do Cas­telo do Bode e con­segue ver parte da Serra de Tomar e, ainda, o con­celho vi­zinho de Vila de Rei.


Falar desta fre­guesia sem falar de água não es­taria cor­reto. As fontes, que dão nome à fre­guesia, são cada vez menos pro­cu­radas, tem vindo a ser feito um esforço para as reabilitar, mas esta com­po­nente na­tural con­tinua a ser a mais re­le­vante da fre­guesia.


 "An­ti­ga­mente era nas Fontes que a po­pu­lação se reunia, agora os es­paços pri­vi­le­gi­ados de lazer e so­ci­a­li­zação são as mar­gens da al­bu­feira, Nesse âm­bito, houve ne­ces­si­dade de cons­truir al­guns par­ques pú­blicos. Um deles pode ser en­con­trado no lugar de Sen­ti­eiras (dispõe de mesas e gre­lha­dores) e ou­tros dois na Ca­beça Ruiva (um no fim da Rua do Casal da Rainha, outro no fim da rua do Rio Zê­zere. Aí pode tirar par­tido do lago ar­ti­fi­cial e da pai­sagem en­vol­vente.

Vi­site, também, o Parque do Ma­xial (co­nhe­cido por So­bral), só aces­sível pela es­trada flo­restal, de de­clive acen­tuado, um local mais re­ca­tado e nor­mal­mente pouco fre­quen­tado e que tem uma pe­quena ilha.

Junto à Al­deia de Água das Casas po­demos en­con­trar a zona de lazer do Ra­baçal, com um Parque de Me­rendas equi­pado com mesas e gre­lha­dores, lagos e uma pe­quena pis­cina.


 Se está na fre­guesia não pode deixar de vi­sitar al­guns mo­nu­mentos re­li­gi­osos. É o caso da Igreja Ma­triz de Nossa Se­nhora da As­sunção (1962) e da Ca­pela de Santa Águeda (lo­ca­li­zada no Ma­xial). A ca­pela data dos fi­nais do séc. XIV e já so­freu vá­rias in­ter­ven­ções. Todos os anos, no dia 5 de fe­ve­reiro, dia da sua morte, re­a­liza-se a Festa a Santa Águeda. A tra­dição é cum­prida sempre com uma missa, uma pro­cissão e pro­messas.


Vi­site, também, o Nicho de­di­cado à Se­nhora da As­sunção, si­tuado numas das en­tradas/saídas da lo­ca­li­dade. Um as­peto cu­rioso é o facto de este nicho marcar a fron­teira entre o es­paço ha­bi­tado e o de­sa­bi­tado, as­su­mindo a função de sa­cra­li­zação desta área, isto é, vela o ter­ri­tório que está po­voado e es­con­jura o que não está. Esta prá­tica era ha­bi­tual por se crer que es­tava ha­bi­tado por en­ti­dades ma­lé­ficas que de­viam ficar afas­tadas da al­deia.


 

Outro dos lo­cais que me­rece uma vi­sita é a Ca­pela de Água das Casas, de­di­cada a Nossa Se­nhora de Fá­tima. Apesar de ser de ini­ci­a­tiva pri­vada está aberta ao culto. Foi inau­gu­rada em 1985."


 

Adaptado de (in Turismo - CM Abrantes).


Festas


Festa de Nossa Senhora da Assunção - 15 de Agosto

Festa em Bairrada, no fim de semana em que apanhe o 10 de Junho

Festa em Água das Casas, último fim de semana de Julho

Festa em Maxial, penúltimo fim de semana de Agosto

Festa em Portela, primeiro fim de semana de Setembro


Ao longo do ano são realizados vários eventos motorizados pelas associações da Freguesia. Passeios chapa amarela, passeios de TT moto e Jipes.


( há a destacar a prática de Jogos da Sueca e Chinquilho durante a realização das Festas de Verão, e na festa de Portela destaca-se a corrida de bilhas de barro)​


41º Aniversário da Junta de Freguesia de Fontes,


A Junta de Freguesia de Fontes, no dia 4 de Outubro de 2026, celebrou o seu 41º Aniversário.


Há momentos que merecem ficar guardados. Este foi, sem dúvida, um deles.


Celebrámos os 41 anos da Junta de Freguesia de Fontes rodeados de quem dá vida à nossa terra: as pessoas.


A todos os que estiveram presentes, que partilharam connosco este dia, que ajudaram a torná-lo especial e que fizeram parte de cada momento, o nosso muito obrigado. 


Mas esta história não se faz apenas de quem esteve presente neste aniversário. Faz-se também de todos aqueles que, ao longo destes 41 anos, deram o seu contributo, trabalharam, participaram, ajudaram, acreditaram e deixaram a sua marca na nossa freguesia.


A todos os que fazem parte desta história, mesmo não tendo podido estar connosco, esta celebração também é vossa. Porque uma Junta de Freguesia não se faz apenas de obras, mandatos ou datas. Faz-se de memórias, de encontros, de tradições e, sobretudo, de comunidade. 41 anos são feitos de muitos rostos, muitas memórias, muitos caminhos percorridos e, acima de tudo, de uma comunidade que continua a construir o futuro sem esquecer as suas raízes.


Que continuemos a caminhar juntos, a valorizar o que é nosso e a fazer de Fontes uma freguesia cada vez mais viva, unida e nossa.


Parabéns, Fontes!

Parabéns à nossa Junta de Freguesia pelos seus 41 anos! 


E que nunca nos falte a vontade de continuar a caminhar juntos.

Enquanto houver estrada, haverá caminho.

E enquanto houver comunidade, haverá sempre uma história para continuar a escrever.



"Guarda-Rios",

por José Martinho Gaspar


“Guarda-Rios” parte de Água das Casas para guardar as histórias de quem ficou e de quem partiu...

Água das Casas está na origem da MOSTRA e também de “Guarda-Rios”, livro de José Martinho Gaspar apresentado este sábado em Abrantes. Promovida pela Mundo em Reboliço, de Filipa Francisco, a MOSTRA cruza neste livro memórias de várias gerações com escola, território, partidas e regressos.

Há pessoas com mais de 90 anos e crianças de oito e 14. Há quem tenha ido para a escola descalço, quem tenha aprendido num espaço onde se juntavam dezenas de alunos, quem tenha abandonado os estudos demasiado cedo e quem tenha encontrado depois do 25 de Abril oportunidades que até então pareciam reservadas a poucos.

São algumas das vidas reunidas em “Guarda-Rios – Memórias de Guardiões de Margens”, de José Martinho Gaspar, livro apresentado este sábado no Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida, em Abrantes, integrado na MOSTRA – Encontro de Artes em Espaço Rural.

O livro nasce de um trabalho iniciado em Água das Casas, aldeia à qual José Martinho Gaspar mantém uma forte ligação e onde a Mundo em Reboliço, dirigida pela coreógrafa e performer Filipa Francisco, tem vindo a desenvolver um projeto artístico e comunitário que entretanto se estendeu à Matagosa, Fontes e à cidade de Abrantes.

Desta vez, as histórias atravessaram também as fronteiras da aldeia. José Martinho Gaspar entrevistou mais de duas dezenas de pessoas de diferentes gerações, de Água das Casas e de localidades vizinhas, procurando perceber como fizeram o seu percurso escolar, que oportunidades encontraram e de que forma a escola acompanhou as transformações destas comunidades.

“Eu acho que é sobretudo a questão das oportunidades”, sintetizou o autor ao mediotejo.net, quando questionado sobre a principal diferença encontrada entre a escola rural antes e depois do 25 de Abril.


Até à Revolução, explicou, prosseguir os estudos dependia muitas vezes das condições económicas das famílias ou da determinação de pais que, mesmo sem terem tido essa possibilidade, queriam proporcionar aos filhos um percurso diferente.

Há histórias distintas. Alguns entrevistados guardam boas memórias dos professores e da escola, enquanto outros recordam a palmatória, castigos e episódios de violência que deixaram marcas profundas. Mas existe um elemento comum em muitos testemunhos anteriores ao 25 de Abril: a dificuldade em continuar a estudar, mesmo quando existia vontade para o fazer.

Salas com 70 alunos e aprender para ensinar os mais velhos

Algumas memórias transportam o leitor para salas onde podiam estar “50, 60, 70 alunos”, de diferentes níveis de escolaridade.

Os mais velhos ajudavam os mais novos e, quando regressavam à aldeia, levavam consigo aquilo que tinham aprendido. José Martinho Gaspar encontrou relatos de crianças que ensinavam adultos, que nunca tinham frequentado a escola, a escrever pelo menos o próprio nome.

Saber assinar um documento quando se ia a uma repartição pública já representava, naquele contexto, “uma conquista”. Mas “Guarda-Rios” não romantiza esse passado.

Há relatos de crianças que iam descalças para a escola, de alunos que regressavam a casa à hora de almoço sem terem praticamente o que comer e de experiências escolares marcadas por violência e humilhação.

No extremo oposto estão histórias de persistência, de pessoas que estudaram à noite ou encontraram outras formas de continuar a formação contra as circunstâncias da época.

O próprio índice do livro antecipa alguns desses mundos: “Ninguém podia continuar a estudar, o meu pai tinha cinco filhos”, “Éramos perto de 70, todos na mesma sala”, “Ela batia-me com a régua”, “O meu pai pediu dinheiro para eu estudar” ou “Tinha a certeza que os estudos me levariam a algo melhor” são alguns dos títulos construídos a partir das vozes dos entrevistados.

Quando fecha a escola, muda também a aldeia

A narrativa chega depois às gerações que assistiram ao encerramento das pequenas escolas rurais. Entre os entrevistados estão alguns dos últimos alunos de estabelecimentos da região, num processo que José Martinho considera inseparável do despovoamento.

“Por um lado as escolas fecharam, por outro lado as pessoas vieram-se embora, e depois as duas coisas acabam por andar cruzadas”, afirmou.


A escola era mais do que um local de aprendizagem. Tinha um “papel fundamental” na vida das comunidades e a sua perda coincidiu com a diminuição do número de famílias jovens e de crianças a viver permanentemente nas aldeias.

O problema prolonga-se hoje na mobilidade. Com cada vez menos alunos, até soluções de transporte escolar se tornam mais difíceis, obrigando algumas famílias a assegurar diariamente as deslocações dos filhos para estabelecimentos de outras localidades.

É por isso que o livro rapidamente deixa de ser apenas sobre educação. As entrevistas conduzem às migrações para Lisboa, à vida profissional, ao trabalho agrícola, às mudanças familiares e aos regressos de quem partiu mas continuou ligado às terras onde nasceu.

Porque são “Guarda-Rios”

O título nasceu também dessa relação com o território. Os pássaros já estavam presentes no trabalho desenvolvido em Água das Casas e nos murais de Anacleto Guia. Entre eles estava o guarda-rios, ave associada às linhas de água. A partir daí surgiu a analogia.

Estas pessoas são, segundo José Martinho Gaspar, “guarda-rios na medida em que são os guardiões destes territórios”.

Cada entrevistado foi associado a uma ave existente na região, tendo o livro um desenho de Anacleto Guia para cada uma das histórias, além de uma fotografia atual da pessoa e de outra imagem relacionada com algum episódio da sua vida.

Para o autor, a recolha pode continuar, mas faz sentido que ultrapasse cada vez mais Água das Casas e permita comparar experiências de diferentes locais do concelho.

“É um projeto mais abrangente e territorial”, afirmou, defendendo que importa compreender porque determinados lugares desenvolveram dinâmicas sociais e associativas diferentes e, simultaneamente, perceber até que ponto as comunidades estão ligadas umas às outras.

A aldeia que ficou mesmo a milhares de quilómetros

A relação entre arte, território e memória está igualmente presente no texto que Filipa Francisco escreveu para abrir o livro.

A coreógrafa recorda que, quando estudava em Nova Iorque, nos anos 90, rodeada pela dimensão dos edifícios da cidade, continuava a imaginar a pequena aldeia de Água das Casas e o avô barqueiro, atravessando pessoas e animais de uma margem para a outra.


Anos mais tarde, escreveu, percebeu que “a grandeza existe em cada pequena coisa”.

É nesse “pequeno grande mundo” que a Mundo em Reboliço viria a desenvolver parte do seu trabalho, colaborando com artistas e habitantes de várias idades e transformando progressivamente a memória local em espetáculos, livros, murais e outros projetos.

A própria Filipa Francisco explicou ao mediotejo.net que “Guarda-Rios” deve ser entendido sobretudo como um trabalho sobre transformação.

“Para mim é sobre transformação”, afirmou, ligando os livros às restantes atividades realizadas no território e a uma ideia de criação que não chega de fora para se sobrepor ao que existe.

“Os lugares são imensamente ricos. Não vamos levar, se calhar, nada tão rico como já lá existe”, observou.

O trabalho passa antes por colocar diferentes visões em contacto e criar a partir dessa relação. Os livros, os murais de pássaros nas paredes da aldeia, as performances e os restantes projetos integram, explicou, uma mesma “linha de curadoria para a transformação”.

A ideia está também condensada numa frase que Filipa deixou no texto de abertura de “Guarda-Rios”: criar é construir um “nós”, reunindo pessoas em torno de um objetivo comum através da escuta, da colaboração e da criação.

Da memória de Água das Casas para outras aldeias

A MOSTRA nasceu desta relação prolongada com Água das Casas, mas tem vindo a alargar a geografia das atividades.

Este ano, o projeto estende-se à Matagosa, Fontes e Abrantes, procurando, segundo Filipa Francisco, “estar nos sítios e fazer com os sítios”.

O alargamento surgiu naturalmente à medida que apareceram outras histórias e outras comunidades interessadas em receber e participar nas propostas artísticas.

“Há estas pessoas que também têm muitas histórias e os outros locais que também querem receber”, explicou.

José Martinho Gaspar conhece bem esse movimento entre a história de uma pequena comunidade e a memória mais ampla do território.

Nascido em Água das Casas, em 1967, é professor, escritor e diretor da revista Zahara desde a sua fundação, em 2003. Entre vários trabalhos publicados encontram-se Água das Casas: Memórias de uma comunidade, de 2015, e Água das Casas: Uma amostra, editado pela Mundo em Reboliço em 2025.

“Guarda-Rios” acrescenta agora novas margens a essa recolha.


Por, MédioTejo.net


"Mostra" - Encontro de Artes em Espaço Rural


A MOSTRA – Encontro de Artes em Espaço Rural regressa em 2026 e alarga o seu território a Água das Casas, Matagosa, Abrantes e Fontes, com programação entre 25 e 27 de setembro e 3 e 4 de outubro.


Promovida pela Mundo em Reboliço, a MOSTRA dá continuidade ao trabalho desenvolvido nos últimos anos em Água das Casas, onde artistas e habitantes têm criado relações a partir das histórias, práticas e lugares da aldeia. Em 2026, esse trabalho estende-se a outros pontos do concelho de Abrantes, aproximando diferentes localidades através de propostas artísticas pensadas para contextos rurais e para as pessoas que aí vivem.


Ao longo de cinco dias, a programação reúne dança, música, teatro, edição, artes visuais, oficinas e encontros. Participam Anacleto Guia, Bule-Bule, Grupo de Teatro do Souto, José Martinho Gaspar, Marta Coutinho e MOURA, com atividades que passam por salões de festas, uma igreja, um museu e o Largo do Coreto.


A edição inclui ainda a apresentação de “Guarda-Rios”, de José Martinho Gaspar, trabalhos ligados ao mural realizado por Anacleto Guia, propostas do Grupo de Teatro do Souto e vários momentos dedicados à música e à dança, mantendo a relação entre criação artística, território e participação local que tem orientado a MOSTRA desde o seu início.


PROGRAMA


25 setembro

Água das Casas | Salão de Festas de Água das Casas

10h00–16h00 | Plano Nacional das Artes, Encontro de artistas nas escolas


26 setembro

Água das Casas / Matagosa

10h30 | Salão de Festas de Água das Casas, Oficina “Bule-Bule”, com Marta Coutinho, Ruca Rebordão e Paulo Pereira

16h00 | Igreja da Matagosa, Concerto “MOURA”, com Pedro Moura e Bruna de Moura. Entrada gratuita

17h00 | Salão de Festas de Água das Casas, Lançamento do livro “Guarda-Rios” de José Martinho Gaspar

19h00 | Salão de Festas de Água das Casas, “Bule-Bule” com Marta Coutinho, Ruca Rebordão e Paulo Pereira


27 setembro

Água das Casas | Salão de Festas de Água das Casas

15h00 | “Projetar o Souto”, de Cuca M. Pires pelo Grupo de Teatro do Souto


3 outubro

Abrantes | Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida

15h00 | Apresentação do livro “Guarda-Rios”, de José Martinho Gaspar, e projeção de fotografias do mural de Anacleto Guia

16h30 | Concerto “Guitarra Portuguesa”, com Pedro Moura


4 outubro

Fontes | Largo do Coreto

15h00 | Apresentação do livro “Guarda-Rios”, de José Martinho Gaspar, e projeção de fotografias do mural de Anacleto Guia

16h30 | Oficina “Danças do Mundo Criativas”, com Marta Coutinho


A MOSTRA começou em Água das Casas, a partir de um trabalho de proximidade com a aldeia, as suas histórias, memórias e habitantes.


Em 2024, a Mundo em Reboliço apresentou o Ano Zero da Mostra, uma primeira partilha pública que reuniu artistas, habitantes e pessoas próximas da aldeia em torno de memórias, objetos e histórias locais.


Em 2025, a Mostra aprofundou esse trabalho através de oficinas, processos de criação e apresentações de cinema, dança, teatro, muralismo e edição, desenvolvidas em Água das Casas, Matagosinha e Abrantes.


Em 2026, o projeto assume a designação MOSTRA – Encontro de Artes em Espaço Rural e amplia a sua presença territorial. Água das Casas permanece como um dos seus lugares de referência, mas a programação estende-se agora à Matagosa, Abrantes e Fontes, criando novas relações entre artistas, habitantes, espaços culturais e localidades do concelho.

Agenda

Próximos eventos e intervenções.


25•09•2026

•

10:00
MOSTRA - Encontro de Artes em Espaço Rural
Salão de Festas de Água das Casas
26•09•2026

•

10:30
MOSTRA - Encontro de Artes em Espaço Rural
Salão de Festas de Água das Casas
27•09•2026

•

15:00
MOSTRA - Encontro de Artes em Espaço Rural
Salão de Festas de Água das Casas
3•10•2026

•

15:00
MOSTRA - Encontro de Artes em Espaço Rural
Museu de Arte Contemporânea Charters de Almeida
4•10•2026

•

15:00
MOSTRA - Encontro de Artes em Espaço Rural
Miradouro das Fontes


Ficha Técnica: 


Curadoria artística: Filipa Francisco

Equipa artística: Anacleto Guia, José Martinho Gaspar, Miguel Canaverde, Susana Domingos Gaspar, Grupo de Teatro do Souto

Mediação cultural: Bernardo Pereira

Fotografia: Mouralves

Vídeo: Associação de Desenvolvimento Cultural Palha de Abrantes, Espalhafitas

Promotor: Mundo em Reboliço

Parcerias locais: Centro Social, Cultural, Recreativo e Desportivo de Água das Casas, Além-Mundus Associação Cultural, Escola da Matagosinha, Centro Cultural e Recreativo Matagosa

Apoio institucional: Câmara Municipal de Abrantes - Finabrantes


Por, Associação Mundo em Reboliço


Água Das Casas: Uma Amostra,

por José Martinho Gaspar


Inserido na mostra de Água das Casas 2025, foi apresentado o Livro "Água das Casas: Uma Amostra" escrito por José Martinho Gaspar. Este livro tem em todas as páginas, memórias, tradições, histórias que é fundamental partilhar e manter vivas.


Conhecendo um pouco mais o autor, a forma como foi pensado e escrito este livro: 


"José Martinho Gaspar, naseceu em Água das Casas no Dia de São Martinho de 1967. Num tempo em que se vinha ao mundo pelas mãos de uma parteira, neste caso a Ti Alexandrina, o nascimento do autor deste livro não se revelou fácil. Houve a necessidade de chamar um médico durante a noite, pelo que Vicente Serras, ao ver o parto do neto complicar-se, decidiu pedir ao parente Zé Lopes, que comprara há pouco tempo  uma motorizada, que fosse ao Sardoal ver de médico. A resposta foi obviamente favorável, ainda que tenha sido colocada a condição de descobrir como se ligava a luz da motoreta. Tudo se resolveu e esta podia muito bem ser uma história para integrar este livro.

Professor de profissão, encontrou na escrita uma paixão. Este é o seu décimo segundo livro em nome próprio,  a que se juntam outros em coautoria. Um romance, livros de contos, publicações de história local e nacional, bem como livros para a infância, permitiram-lhe vencer vários prémios literários.

Trata-se do seu segundo livro sobre a aldeia onde nasceu, o primeiro intitula-se Água das Casas: Memórias de uma comunidade, pois por maior que seja a viagem, jamais podemos esquecer o local de onde partimos.


"Este livro germinou no âmbito  da Mostra de Água das Casas  2025. Tratou-se de uma iniciativa da associação Mundo em Reboliço, focada na descentralização cultural e no envolvimento das comunidades em processos de criação artísticas. Com sede na aldeia de Água das Casas, a associação promove nesta localidade e no conselho de Abrantes um projecto de comunidade, que cruza memória, arte e participação.

A Mostra propôs residências artísticas, oficinas e apresentações públicas, reunindo artistas, habitantes e estruturas locais em torno da criação de objectos artísticos, entre os quais um filme participativo, um solo de dança, um mural pintado num chafariz da aldeia e esta publicação com histórias e memórias do território. As narrativas apresentadas, ilustradas com fotografias, resultam de testemunhos sobre o quotidiano de Água das Casas, desde inícios do século XX, a que, em alguns casos, se juntaram elementos ficcionados. Afinal, quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto.

A estrutura deste livro procura espelhar o cariz cíclico que marca a vida do mundo rural. O tempo de Água das Casas é/era como uma grande roda, pelo que é possível antever o momento seguinte, o que origina a sensação de que é aqui o nosso abrigo."


Deixar uma palavra de agradecimento a quem participou e tornou este livro uma realidade, com as suas histórias, as suas imagens, as suas memórias. Uma palavra de agradecimento também a quem juntou tudo e fez com que esta "Amostra" fosse para além de um livro, um pedaço de história e uma enciclopédia de pessoas, de vivências e muito mais. Um livro que fica na historia, por contar o passado e por deixar escrito a quem vier no futuro, a sua maravilhosa história, numa aldeia, que como a Água vai correndo e novas memórias vão surgindo. 



Mostra de Água das casas 2025


Na mostra de Água das Casas 2025, a 27 e 28 de Outubro, a Água das Casas foi palco de um evento que conciliou, arte, cultura e memória.  Um projecto de criação artística e cultural promovido pela associação Mundo em Reboliço, com direção artística da coreógrafa Filipa Francisco, natural de Água das Casas.


Nestes dias, realizou-se um trabalho de escuta e partilha com os habitantes e antigos moradores da aldeia, cujas histórias e memórias foram recolhidas em vídeo, áudio e texto, servindo de base à edição de 2025.


Entre os vários resultados artísticos apresentados destacam-se o livro Água das Casas: Uma amostra, de José Martinho Gaspar;

O mural pintado na Fonte de Santo António (ou Fonte do Cabeço), da autoria de Anacleto Guia; o filme À Procura de Uma Aldeia, realizado por Miguel Canaverde com crianças e jovens locais;

E o solo de dança contemporânea interpretado por Susana Domingos Gaspar.


O livro de José Martinho Gaspar revisita as memórias da aldeia, cruzando realidade e ficção para reconstruir o quotidiano e o imaginário rural.

Já o mural de Anacleto Guia, também descendente de Água das Casas, recupera a história recente da aldeia e simboliza a revitalização do espaço público, assinalada pela reabertura da torneira do antigo fontanário.


Este evento foi um enorme sucesso e mostrou que as tradições e memórias tem um espaço relevante no nosso dia a dia, e devemos mantê-las presentes e partilha-las.


Pode ver a noticia do MédioTejo no seguinte link (https://mediotejo.net/mostra-de-agua-das-casas-2025-reforca-lacos-entre-arte-e-comunidade/)

Fotos  ©Mouralves Fotografia


Onde, 

De José Luís Peixoto


Um dos aspectos mais relevantes e o desafio que este livro nos deixa, é ser e estar, e puxando pelas páginas que nos tocam, é sobre Abrantes, é sobre as Fontes. Ao folear este livro encontramos muitos locais, sensações e formas de estar na vida. Na página XX encontramos o o "Miradouro de Fontes", com a sua paisagem imensa, inigualável, que nos deixa sem palavras. Tentar descrever em palavras esta paisagem vai sempre pecar por escasso, por isso a melhor opção que temos é apreciar, ser e estar, podemos sempre levar este ou outro livro, para fazer demorar a nossa estadia por lá.    


Sinopse:


"Entre a poesia e a geografia, fragmentos de prosa poética que anotam uma paisagem, um casario, uma rua, o nome de uma árvore, o segredo escondido a meio de uma encosta.

Livro múltiplo e absolutamente coeso, sobre miradouros e distância, árvores e tempo, rios e caminho; sobre fé, história, sobre ler, estar e ser, sobre Abrantes, Constância, Sardoal e o mundo inteiro.
Textos ou lugares, talvez poemas. O livro é difícil de resumir, mas fácil de entender, claro como um mapa. Não saberemos realmente o que perdemos se não lermos, se não formos lá.
José Luís Peixoto desafia-nos a acompanhá-lo ao longo de um território de paisagem e de escrita, de pequenas e de grandes descobertas, de enormes revelações.
O lugar onde estamos é a vida."


Para conhecer um pouco o autor...


"José Luís Peixoto nasceu em Galveias, em 1974.
É um dos autores de maior destaque da literatura portuguesa contemporânea. A sua obra ficcional e poética figura em dezenas de antologias, traduzidas num vasto número de idiomas, e é estudada em diversas universidades nacionais e estrangeiras.
Em 2001, acompanhando um imenso reconhecimento da crítica e do público, foi atribuído o Prémio Literário José Saramago ao romance Nenhum Olhar. Em 2007, Cemitério de Pianos recebeu o Prémio Cálamo Otra Mirada, destinado ao melhor romance estrangeiro publicado em Espanha. Com Livro, venceu o prémio Libro d'Europa, atribuído em Itália ao melhor romance europeu publicado no ano anterior, e em 2016 recebeu, no Brasil, o Prémio Oeanos com Galveias. As suas obras foram ainda finalistas de prémios internacionais como o Femina (França), Impac Dublin (Irlanda) ou o Portugal Telecom (Brasil). Na poesia, o livro Gaveta de Papéis recebeu o Prémio Daniel Faria e A Criança em Ruínas recebeu o Prémio da Sociedade Portuguesa de Autores. Em 2012, publicou Dentro do Segredo, Uma viagem na Coreia do Norte, a sua primeira incursão na literatura de viagens. Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas. As suas mais recentes obras são Autobiografia (2019), na prosa, e Regresso a Casa (2020), na poesia.
Os seus romances estão traduzidos em mais de trinta idiomas.
Para saber mais sobre o autor: https://www.joseluispeixotoemviagem.com"

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